Quando agradar demais começa a fazer você desaparecer dos seus relacionamentos
Assista no instagram e veja mais conteúdos sobre relacionamentos: https://www.instagram.com/reel/DcMqbhnR2xb/?igsi=MWNzZGMzaWcwMmZzcQ== Você está sendo uma pessoa cuidadosa ou está se abandonando para não perder o amor, a aprovação e o lugar que ocupa na vida de alguém? Nem sempre percebemos quando o cuidado com o outro começa a custar caro demais para nós mesmos. Se você é aquela pessoa que está sempre disponível, que evita dizer “não”, que percebe rapidamente quando alguém precisa de alguma coisa e já faz pelo outro sem ele nem ter pedido sua ajuda… Que tenta não decepcionar ninguém. Que evita conflitos e faz tudo pelo outro. Que prefere ceder para evitar uma discussão. Por fora, isso pode até parecer generosidade. Mas existe uma pergunta que considero mais importante: O que acontece com você quando alguém não gosta da sua escolha? Se você sente culpa, medo de rejeição, medo de ficar sozinho, medo do abandono, necessidade de se explicar ou a sensação de que precisa fazer alguma coisa para recuperar a aprovação daquela pessoa, talvez exista algo nessa relação que mereça ser observado com mais cuidado. Nos episódios 05, 06 e 07 de “É Terapêutico, Mas Não é Terapia” que você pode acessar no meu canal @biancasanchezpsi, conversamos sobre situações que, aparentemente, são diferentes: a necessidade de agradar todo mundo, o peso de agradar e seus possíveis significados, a dificuldade de mudar e quando colocar limites pode ser confundido com egoísmo. Acesse o canal do YouTube, inscreva-se, compartilhe com um amigo que também possa se beneficiar dessa reflexão e deixe sua participação nos comentários. Assim, juntos podemos construir um espaço de conversas sobre relacionamentos. Mas existe algo que conecta as três: A forma como aprendemos a pertencer aos nossos relacionamentos. Quando ser amado parece depender de agradar e de ser útil para as pessoas ao seu redor Na Psicologia Sistêmica, não olho apenas para um comportamento isolado. Na minha prática clínica, o foco da terapia sistêmica é compreender como aquele comportamento passou a fazer sentido dentro da história e dos relacionamentos daquela pessoa. Imagine essa dinâmica acontecendo com você. Talvez você tenha aprendido muito cedo que “precisa fazer o que as pessoas querem para conseguir se relacionar”, que “precisa ajudar”, que “não pode incomodar”, que “para estar em um relacionamento precisa evitar conflitos” ou que “cuidar dos outros é uma maneira de receber reconhecimento e permanecer conectado às pessoas importantes”. O problema não está em ser gentil. Também não está em ajudar quem você ama. O problema começa quando você percebe que não consegue deixar de fazer isso sem sentir culpa, medo, ansiedade ou a sensação de que está pisando em ovos. Existem alguns sinais que podem ajudar nessa reflexão. 5 sinais de que você pode estar agradando demais 1. Você diz “sim” quando gostaria de dizer “não”. Depois fica cansado, irritado ou frustrado, mas, ainda assim, sente dificuldade de recusar da próxima vez. 2. O desagrado do outro provoca culpa em você. Basta alguém ficar chateado para você começar a questionar se fez alguma coisa errada. Você se sente mal, como se tivesse feito mal à outra pessoa. 3. Você explica demais suas escolhas. Em vez de simplesmente comunicar uma decisão, sente necessidade de convencer o outro de que tem motivos suficientes para fazê-la. 4. Você percebe as necessidades dos outros antes das suas. Sabe quando alguém está cansado, preocupado ou precisando de ajuda, mas tem dificuldade para reconhecer o próprio limite. Você se sente exausto, mas não consegue ver algo por fazer e simplesmente parar. Continua fazendo, muitas vezes na esperança de que os outros percebam, reconheçam ou também mudem. 5. Você começa a diminuir partes de si para preservar uma relação. Deixa de falar, escolher, discordar ou fazer determinadas coisas porque teme perder o afeto ou a aprovação de alguém. Nenhum desses comportamentos, isoladamente, significa que exista dependência emocional. Mas, quando se tornam um padrão relacional e começam a produzir sofrimento, vale perguntar: Quanto de mim estou deixando para trás para continuar pertencendo? Nem todo relacionamento difícil é um “relacionamento tóxico” Hoje encontramos rapidamente nas redes sociais expressões como “pessoa tóxica”, “narcisista”, “manipulador” e “dependência emocional”. É preciso cuidado. Uma discussão não transforma automaticamente uma relação em abusiva. Um comportamento inadequado também não autoriza diagnosticar outra pessoa pela internet. Por outro lado, também não devemos banalizar relações marcadas por controle, humilhação, medo, manipulação, coerção ou violência psicológica. Por isso, em vez de tentar colocar rapidamente um rótulo no outro, considero mais útil observar o padrão da relação e aquilo que acontece com você dentro dela. 5 sinais de que a dinâmica do relacionamento merece atenção 1. Você sente que precisa medir constantemente o que fala para evitar a reação do outro. 2. Suas decisões passam a ser acompanhadas de medo, culpa ou necessidade de autorização. 3. Quando você tenta colocar limites, recebe punição emocional, ameaças, humilhações ou tentativas persistentes de fazê-lo voltar atrás. 4. Você começa a duvidar frequentemente da própria percepção e sente que precisa do outro para validar aquilo que pensa ou sente. 5. Permanecer na relação parece exigir que você abandone necessidades, vínculos, escolhas ou partes importantes de quem é. Esses sinais não são um diagnóstico. São um convite para observar o relacionamento com mais cuidado. E existe outra questão importante: E quando eu sei que preciso mudar, mas não consigo? Essa talvez seja uma das partes difíceis. A pessoa percebe que está sofrendo. Promete que vai mudar. Decide que agora colocará limites. Diz que não aceitará mais determinadas situações. Mas, quando chega o momento… volta atrás. E então aparece uma pergunta dolorosa: “Se eu sei que isso me faz mal, por que continuo fazendo?” Uma pesquisa brasileira publicada em 2024 na Psicologia USP encontrou, na literatura analisada, características e consequências associadas à dependência emocional, entre elas medo de abandono, culpa, ansiedade e relações afetivas marcadas por sofrimento. Os autores também apontam para uma possível relação entre a maneira como vínculos de apego foram estabelecidos anteriormente e relacionamentos posteriores. Na minha prática clínica, observo outras possibilidades que podem fortalecer a









